venerdì 22 aprile 2011

O filho preferido

Imagino que o sonho do meu pai fosse o seguinte: que os dois filhos dele o visitariam com os netos e noras, para almoçar nos domingos.

Bem, ficou no sonho para sempre. Eu e meu irmão somos os últimos da linha. Não pretendemos ter filhos. Para quê? Para se incomodar, se preocupar. O imperativo biológico da reprodução é muito fraco em mim.

Bem, ele teve o apoio do filho mais novo, o preferido. Como disse outrora para a minha mãe e que eu escutei, para a minha desgraça e infelicidade:  «Eu prefiro o mais novo.»

Preferiu e teve o apoio do meu irmão, do filho mais novo, mas não teve o meu apoio. Lembro-me que a minha mãe dissera então ao meu pai: «Que coisa errada!»

É, que coisa errada. E ainda vinda de um católico que não faltava um domingo à missa. Que hipócrita! Eu ia para a igreja a contra-gosto, na porrada. Lembro de uma vez em 1.983 que apanhei e depois fui à igreja, certamente a contra-gosto.

É, eu fui o filho de reserva. Gostaria de que ele tivesse que escolher entre um ou outro numa situação de morte. Bem, eu pereceria, provàvelmente. Seria bom para mim. Eu estaria livre.

Estou a escrever este texto com raiva. Melhor ficar com raiva do que com angústia.

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